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Alerta ao comércio e prestadores de serviços: riscos ocultos nos meios de pagamento

Publicado por admin_sc em 24 de abril de 2026

O recente caso envolvendo a liquidação da Entrepay pelo Banco Central trouxe à tona um problema pouco percebido por muitos empresários: o risco financeiro embutido na escolha da adquirente (empresa da maquininha).

Tradicionalmente, lojistas e prestadores de serviços concentram sua atenção em fatores como:

  • taxa de desconto (MDR),
  • prazo de recebimento,
  • facilidade de uso da maquininha.

No entanto, há um fator ainda mais crítico — e frequentemente negligenciado:

A solidez financeira e regulatória da instituição que intermedeia o pagamento.

O que aconteceu no caso Entrepay?

Empresas que venderam produtos e serviços por meio das maquininhas da Entrepay simplesmente não receberam os valores das vendas realizadas.

Ao mesmo tempo:

  • instituições financeiras que anteciparam esses recebíveis também ficaram sem receber;
  • surgiram disputas judiciais sobre quem tem direito ao dinheiro.

👉 Resultado: o mesmo valor passou a ser cobrado por múltiplas partes, revelando uma falha estrutural no sistema.

 Onde está o risco para o lojista?

Muitos empresários acreditam que:

“Se o cliente pagou no cartão, o dinheiro está garantido.”

❌ Isso não é totalmente verdadeiro.

Na prática:

  • o dinheiro não vai direto do cliente para o lojista;
  • ele passa por uma cadeia intermediária (emissor, bandeira, adquirente);
  • a adquirente (maquininha) é quem repassa o valor ao lojista.

 Se essa empresa tiver problemas financeiros, o pagamento pode simplesmente não chegar.

Principais riscos identificados

1. Risco de crédito da adquirente

A adquirente pode:

  • entrar em liquidação;
  • ter problemas de caixa;
  • não conseguir repassar os valores.

➡️ O lojista vira credor — muitas vezes sem prioridade.

2. Risco de duplicidade de titularidade

Em operações com antecipação:

  • o lojista vendeu;
  • a adquirente recebeu;
  • um banco antecipou o valor.

👉 Quando ocorre um problema:

  • mais de uma parte reivindica o mesmo recebível

➡️ Isso gera disputas judiciais e atrasos.

3. Falta de segregação patrimonial

Em muitos casos:

  • os valores das vendas não ficam totalmente separados do patrimônio da adquirente.

➡️ Em caso de quebra, podem entrar na massa em liquidação.

4. Complexidade regulatória

Mesmo com regulação do Banco Central:

  • ainda existem lacunas operacionais;
  • nem sempre há proteção total ao lojista.

O erro mais comum dos empresários

Escolher a maquininha apenas com base em:

  • menor taxa,
  • prazo mais curto,
  • benefícios comerciais.

👉 Isso é equivalente a:

escolher um banco apenas pela tarifa, ignorando o risco de solvência.

 Boas práticas para reduzir riscos

1. Avaliar a instituição de pagamento

Verifique:

  • se é autorizada pelo Banco Central;
  • seu porte e reputação;
  • tempo de atuação no mercado;
  • quem são os controladores.

2. Evitar concentração

Não dependa de uma única adquirente.

👉 Utilize:

  • mais de uma maquininha;
  • mais de um arranjo de pagamento.

3. Atenção à antecipação de recebíveis

Antes de antecipar:

  • entenda quem passa a ser o titular do crédito;
  • verifique se a operação é registrada;
  • analise o risco da cadeia inteira.

4. Monitorar prazos de recebimento

Atrasos recorrentes podem indicar:

  • problemas de liquidez da adquirente;
  • risco iminente.

5. Priorizar instituições consolidadas

Empresas maiores e mais capitalizadas tendem a oferecer:

  • menor risco sistêmico;
  • maior capacidade de honrar pagamentos.

📊 Uma mudança de mentalidade necessária

O empresário moderno precisa entender que:

Aceitar pagamento com cartão não elimina o risco — apenas o transforma.

O risco deixa de ser:

  • inadimplência do cliente

e passa a ser:

  • risco da instituição intermediária

⚖️ Conclusão

O caso Entrepay é um marco importante para o mercado brasileiro de pagamentos. Ele evidencia que:

  • o sistema evoluiu tecnologicamente,
  • mas ainda possui fragilidades jurídicas e operacionais.

Para empresas e profissionais, a lição é clara:

A escolha da maquininha deve ser tratada como uma decisão financeira estratégica — e não apenas operacional.

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